Juros real do Brasil é o segundo maior do mundo; veja dados
A taxa de juros real do Brasil cresceu em novembro de 2025, mantendo o país na segunda posição do ranking global do indicador, compilado em parceria pelas consultorias MoneYou e Lev Intelligence. Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em manter a taxa Selic em 15% ao ano, o patamar de juros descontando a inflação projetada chegou a 9,74%. Esse percentual representa um aumento em relação a setembro, quando estava em 9,51%.
No ranking mundial, o Brasil só fica atrás da Turquia, que apresenta uma taxa real de juros ainda maior, de 17,80%. O levantamento considerou os 40 países mais relevantes do mercado de renda fixa global nas últimas duas décadas.
O Copom decidiu manter a Selic em 15% pela terceira reunião consecutiva, interrompendo o ciclo de altas iniciado anteriormente em julho. Essa taxa é a maior desde 2006. A postura cautelosa do banco central está alinhada com a expectativa do boletim Focus, que indica a manutenção dos juros em 15% até o fim do ano, com início dos cortes previstos somente para 2026.
Em setembro, o BC indicou que 15% seria o nível terminal do atual ciclo de aperto monetário, retirando a expressão “continuação da interrupção”, mas sinalizou que esse patamar deverá ser mantido por um período “bastante prolongado”.
Outros países com altas taxas de juros reais
Além do Brasil e da Turquia, completam a lista dos maiores juros reais países como Rússia, com 9,10%, e Argentina, com 5,16%. Em termos nominais, apesar da manutenção da Selic em 15%, o Brasil ocupa a quarta posição global, atrás de Turquia, Argentina e Rússia.
Esse cenário de juros elevados reflete preocupações com a inflação futura, questões fiscais e um ambiente econômico com menor dinamismo, o que influencia a estratégia monetária de manter uma política restritiva para garantir a estabilidade econômica.
Portanto, apesar do cenário favorável à estabilização, o mercado já projeta que o ciclo de cortes nos juros só deve começar efetivamente em 2026, promovendo uma fase de juros elevados por mais tempo no Brasil.